16/08/2001
É a mesma do poeta de “A Morta” de Oswald de Andrade e tem seu mesmo projeto de ultrapassagem.
“Fizeram-me abandonar a Ágora para viver sobre mim mesmo de mil recursos improdutivos. Eu quero voltar à Ágora. Um dia se abrirá na praça pública meu abcesso fechado! Viverei na Ágora! No social. Libertado!” Esse dia é agora ou nunca.
Nosso repertório tem esta inspiração:
- “OS SERTÕES”, montado como escultura teatral viva da obra literária de Euclides da Cunha, em ação. Canudos, nos dias de hoje, rompendo bloqueios, superando seu massacre, abrindo oasys na urbes, sem ideal ascético, mas terreno, de saídas dos becos sem saída: os Sertões na Agora. Um trabalho de retorno à origem e afirmação da história-passada-presente-futura da Terra, do Mais que Humano, da Luta do Brasil, do Oficina para seu eterno retorno em “rocha viva”.
- OFICINAS NO OFICINA – Oficina inventou a palavra “Oficina” como trabalho de pesquisa prática, precisamente, de “montagem” cultural coletiva. Agora retorna ao destino do seu nome e em 2000 abriu o trabalho de “Os Sertões” em forma de múltiplas oficinas, abertas gratuitamente sob patrocínio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo à participação pública, através do Departamento de Formação Cultural.
Uma forma de compartilhar, transmitir e construir o saber e a própria re-existência que cada nova peça traz, através de um processo social de criação inclusor de pessoas escolhidas em rodeios teatrais, para acompanhar a montagem e renovar o elenco da Companhia em mutação permanente.
- FESTIVAL TEATRO OFICINA -Remontagem para gravação e transmissão direta e ao vivo via TV-internet do repertório dos anos 90: HAM-LET de William Shakespeare, MISTÉRIOS GOZOSOS de Oswald de Andrade, BACANTES de Eurípedes, PRA DAR UM FIM NO JUIZO DE DEUS de Antonin Artaud, ELA de Jean Genet, CACILDA! de José Celso Martinez Corrêa, TANIKO de Zen-Chiku e BOCA DE OURO de Nelson Rodrigues;
- CACILDA! de José Celso Martinez Corrêa, toda a tetralogia do mito de atriz que atravessou o vagar sem destino do teatro de hoje, mas chegou à criação do teatro brasileiro de cia.: Comediantes, TBC, TCB, nas lutas na ágora dos movimentos dos idos 1968, na vida e morte, em cena.
Para esse programa é importante :
- lutar pelo direito do entorno do Oficina tombado,
- por sua expansão física em rua, em Ágora, ou seja: pela construção da Praça de Cutura no Minhocão, ligada pela rua Oficina, a um Teatro Grego natural de Estádio, no último terreno sertão ao ar livre do Bexiga, nos fundos que becam o Oficina: o estacionamento do grupo SS. Uma planta Baixa, desenhando uma Pemba, duas praças públicas Circulares, ligadas por um Teatro Rua: um “i” com dois pingos, um em seu norte, outro em seu sul.
- lutar para a expanção do espaço público descondicionado, fora da caverna , afirmando sua contracenação territorial de bem tombado, alargando-se proporcionalmente à expansão da mega corporação financeira que projeta um Shopping Cultural no entorno do Oficina no Bairro do Bexiga.
- lutar pela justiça do poder dos artistas, do público e da opinião pública, legitimarem esta ambição.
- organizar o enorme acervo e arquivo do Oficina, informatizá-lo.
Além de material em papel e película, Oficina tem toda sua história a partir de l98O até o presente gravada em vídeo;
- possibilitar que este acervo se torne publico por sua edição, distribuição, transformação em livros, audio-visuais, filmes, vídeos, disquetes.
- tornar público O Rei da Vela filme.
- encontrar empresas patrocinadoras que possibilitem esse salto de quantidades na cultura, absolutamente possível no Brasil contemporâneo.
Todo este suporte parte da ação permanentemente renovada do corpo a corpo do teatro, para uma prática contemporânea mais confortável, que se plugue nas possibilidades tecnológicas atuais. Mas, se esta tecnização não for possível a tempo, refaça-se o milagre da rocha viva de Canudos, sem que se perca, mesmo na precariedade radical, o tesão feticeiro, criador de mais poder e transbordamento da divina orgia mais que humana. Todo poder do ator humano vem da fonte Teatro; e por ele poderá ser sempre exercido, na maior glória, nas secas e na umidade das primaveras. Evoé!
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