13/03/2002
Dia 27,
Dia Mundial do Teatro
Dia Nacional Circo Centenário de Pyolin
Dia do Centeneário do Urbanista Lucio Costa.
Vou receber o título de Cidadão Paulistano,
da Câmara Municipal de São Paulo,
inciativa do vereador em quem votei:
o arquiteto Nabil Bonduki e da sua equipe de assessores
que dizem
“Oficina Patrimônio da Cidade -José Celso Martinez Corrêa-Cidadão Paulistano.”
Ao meio dia desta lua cheia de outono
três dias antes d’eu fazer 65 anos,
na quarta-feira da Semana Santa,
praticamente, último dia útil antes da Páscoa de 2002
eu digo Sim mais uma vez ao meu amor o Teatro
que nesta data que não sei porque,
hei de ficar sabendo, o calendário da Unesco festeja
ou tentou festejar o Teatro como acontecimento planetário.
A segunda guerra tinha virado guerra fria,
ao mesmo tempo que no mundo todo
na tragédia a aspiração biológica da paz,
reiventava um grande movimento cultural ,
que criou , lutou, além da “coexistência pacífica.”
por uma paz quente.
Obras primas desta geração de grandes artistas
plantaram frutos imensos na Terra,
Na brecha de uma paz precária de bomba atômica,
retomaram sua existência como continuação da criatividade
com que o século XX despertou.
Tentou criar até instituições, poderes para que permenecesse a cultura humanista e a trans humanista,
A mesma que acabo de ver reencontrada na peça de Bosco que ví no Teatro do Bexiga: Ágora. Cultura do teatro, que sabe o que é este bicho: Teatro.
A vitória do neo-liberalismo nestes últimos anos foi, ainda é, um vento desvastador como El Niño na ecologia cultural destes movimentos,
uma outra Guerra.
No Terceiro Mundo inventado desde o século XIX pelo imperialismo, movimentos culturais fortíssimos, muitas vezes antecipando os metropolitanos,
tomaram o século XX e somente serão percebidos neste século trágico que finge que é o melhor dos mundos possíveis.
Já que se vive impossivelmente o mundo possível mas viver assim impossíveis o mundo impossível que desejamos.
Os teatros brasileiros recebiam boletins do Instituto Internacional de Teatro da Unesco sediado em Paris: proclamações abrangentes , de um idealismo um tanto vago, soando um teatro ainda eurocêntrico. Mas estávamos do lado de todas as tentativas de uma Internacional do Teatro.
Líamos para o público sempre insatisfeitos por serem textos que sentíamos pouco, no momento que estávamos lutando pela liberdade numa ditadura que visava a partir do Ai5 – fim de 68, com a instalação da Embratel e da tortura, estraçalhar a cabeça cultural do país.
Sei que o dia do teatro é todo dia, como todo dia é dia de todo o dia. Mas acontece na minha vida que neste momento em que estou fazendo " Os Sertões", vou fazer ainda por cima Antonio Conselheiro saltando os pés, rodando a dançar aos quatro cantos para não ser soterrado pelo cataclisma caido nos pés do Oficina com a ameaça de “virar caixa de fósforo numa geladeira” com a construção de um Show Room do empreendimento do Grupo Sílvio Santos para o Centro Cultural de São Paulo, virado zona de Hotelaria Bela Vista, sob os auspícios de caralho gigante mais alto que o Banespa, obelisco da aliança com o deus do Baú da Felicidade, dando continuidade á estética do Minhocão.
É teatro demais para um ser humano de teatro saber que o dia coincidiu com o que vai receber o titulo de cidadão paulistano.
Minha cidadania tem sido difícil. Eu mesmo tenho dificuldade de me aceitar cidadão. Parece até a posição de Wladmir do “Esperando Godot” que dispensou seus direitos.
Formei em direito e não fui buscar o diploma.
Apaixonei pelo teatro e deixei tudo.
Não tenho o DRT,
não tenho aposentadoria
perdi meus documentos ,
viví sem lenço , sem documento, sem propriedade
era até repugnante ter documentos de identidade, votar.
num Estado que torturou, exilou,
interrompeu meu trabalho.
Ítala Nandi e Maria Gladys me ligam e me propõe para ser bandeira de um movimento para aposentadoria pros artistas que sobreviveram ao combate pelo teatro. É justo mas prefiro na fila de traz dos velhos rebeldes.
Outros me aconselham a exigir a compeensação pelos direitos perdidos por mim e pelo Teatro Oficina, com a repressão dos anos 60, 70.
Tenho medo dos limites da cidadania, porque o indivíduo antes de ser cidadão, é nu, é inocente, trans humano, terráqueo, cósmico.
Minha cidadania mesmo na minha cidade de Araraquara, não tenho, ganhei coisa parecida quando os " carismáticos" processaram os atores do Oficina e a mim pelo carisma de " Mistérios Gozosos" de Oswald de Andrade. O escândalo me permitiu um debate franco com a cidade, ganhei não digo a chave dela, mas vitória de Justiça mais choque da escuta para o que é meu trabalho,minha posição de felicidade guerreira diante do pedaço de terra que nasci e que ainda não me engoliu.
Minha cidadania veio do Teatro Oficina.
Por isso lutei pelo Tombamento do Teatro, para que não desaparecesse na Tele Cena.
Por isto não aceitei a condição de usuário do Oficina ,
que a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo,
pretendeu que eu assumisse assinando um contrado de “cessão de uso”, por alguns anos.
Não sou usuário do Oficina que inventamos com movimentos e criações teatrais, que legitimaram por si nossa presença no lugar há quarenta anos
e onde com o Tombamento do Teatro pelo Condephat em 82 ,para a continuidade de nossos trabalhos começamos a ficar legais.
Como muita gente que ví olhando para elas com adoração, me identifiquei com as quaresmeiras. A Folha nos fez saber um dia que o stress delas de saberem-se próximas á morte, fez com que dessem o mais floriodo e colorido verão de São Paulo de todos os anos.
Meu stress eu transformo em tocar a frente o Centanário “Os Sertões” virado Teatro ao mesmo tempo que sonho, luto por construir a Ponte no Bexiga afogado pelo Minhoção . Uma ponte dando de volta tudo que este Bairro deu para esta cidade com o carinho de seus moradores, frequentadores, com ou sem teto, que pisam estas ruas com seus pés, criando aqui, um umbigo cultural da cidade com seus teatros, escola de samba, cantinas, pensões de nordestinos e estudantes, vida de artista…
O sonho de uma uma merecida revitalização no mínimo como o Recife Velho, o Pelourinho de Salvador, a Lapa do Rio. Um bairro revitalizado em Verde Sim, Pomar, Teatro de Estádio, centro de aprendizado e criação cultural: um Bexigão, Centro de Cultura Social, Pública, Popular e Despoluente, Afetiva. O Centro de Excecão cultural dentro da globalização , com mercado sim mas com produção de exportação, com a tecnização mais revolucionária , extensão do seu imenso coração pulsante de artistas vivos de hoje.
Por trazer potência para este sonho de cidade de um teatro inspirando seu urbanismo,um teatro vivo, de Estádio, digo sim ao titulo de cidadão paulistano, do Oficina Tombado patrimônio da cidade mundo.
Não é a glória em berço esplêndio, da cerimônia do reconhecimento . Não ao cidadão que "chegou lá ", o figurão, o manda chuva, " o paulista fazedor de hecantombes" o aval á um guerrreiro que quer comer a paz na cidade com pão e salada verde no ar que se respire, no fim do Sonho do Professor Abobrinha de fazer deste lugar onde fica a Assembléia Municipal, uma estrada para o lugar nenhum.
É o aval dos que querem lutar por uma São Paulo rompendo com seu destino de feitoria do capital. Com este ato constrói-se um novo valor para o conceito de cidadania. Dar o título á alguém que não é unanimidade.
Sou grato aos vereadores que fazem esta homenagem porque estão desejosos da transformação de São Paulo de todos os prazeres .
Os que querem fazer essa cidade contam quase sempre com a solene indiferença dos que aqui enchergam apenas um lugar de exploracão de segunda á sexta-feira, com o ócio de sábado e domingo contabilisado para o IPOB telekético .
Esta cidade destes céus e luzes tão magníficas deste verão me faz perguntar o que há de errado para não se ter o apoio da Prefeita para a obras que Lina Bardi, uma das maiores arquitetas do mundo concebeu para o Bexiga.
O que há de errado para tamanha indiferença da atual Secretaria da Cultura do Estado que não acolhe os quarenta anos do Oficina, como o direito humano de existir como companhia, depois de 2O anos de relação interrupta com secretarismo progressistas do Estado, que tombaram, desapropriaram e depois terminaram a construção do Oficina para que lá pudeesse existir, livre de ser engolido pelo Baú da Felicidade.
Neste momento há um valor imenso do Teatro Oficina e eu recebermos o título de cidadania paulistana. Acabou sendo assim nesta paixão entre o Teatro Oficina e eu.
Aos que o fizeram nestes quarenta e um anos, aos que estão sempre reconstruindo-o, aos públicos de todos os Oficinas, aos procuradores do meio ambiente , ao Instituto Lina Bo e Pietro Bardi , aos amigos dourados, ao Bexiga , ao Teatro, ao Circo, á Pilolin, ao Urbanismo , á Lucio Costa, aos sertanejos dos movimentos dos sem terra, aos moradores das Selva das Cidades Sem Teto, ao poeta Roberto Piva por todos os poetas, ao que ainda não nos conhecemos, especialmente aos artistas vivos que estão trabalhando ao vivo, no atual e no virtual em São Pã , á “classe teatral” dedico minha emoção e este título.
Tenho a pretenção de dedicar, extender esta condição de cidadania á todo Teatro , meus colegas de teatro, profissionais, amadores, dos bairros, das periferias, celebridades, anônimos heróis do teatro que esta cidade pratica, sem o percebimento que esta é uma das maiores riquezas que esta cidade tem, sua pratica diaria de Teatro.
É delírio de aproximação da grandeza que o teatro desta cidade deve ter, pois o reconhecimento do Oficina sem pretenções é a quebra de um Tabu , o das aspiraçõe mais utopicas, provocativas, inquitetantes, poderosas que Oficina deu para o Teatro.Não para si , mas para todo o Poder do Teatro na cidade.
Imagino uma manifestação de tambores, reunindo ao meio dia o teatro praticado em São Paulo, nos meios atuais e virtuais. Sei que muitos não gostam mas eu adoraria ver todo o teatro com as roupas e as personagens das peças que estão fazendo nestes dias, se encontrando numa grande Fantasia. Nós do Oficina vamos de Bacantes e de Sertões, Cacildas! Zé Miguel, Boca de Ouro, Dionísos, Ham-let, Biederman e os Incendiários, Vitor ou Vitoria, Os Miseráveis, o Teatro de Heliópolis,o Ueinzz, os grupo do Rei da Vela do Carandiru, Medéia, Um Bonde Chamado Desejo, Bazófias e Quedas, Novas Diretrizes em Tempo de Paz, os Lusíadas, Intimidade Indecente, Major Bárbara, Os Rabelais dos Parlapaões, Dionísio Netto, a Companhia do Latão .
Subimnos cantando o Samba de Flávio Rangel Teatro Brasilero, ou o Sonho , ou Vai Vai cantando aquele samba que fez no Carnaval de l989, sobre o Teatro. O presidente da Câmara dos Vereadores, José Eduardo Cardoso Vereador abre o rito, discursa. Três pessoas pelo ritual , mas pra mim dá sempre pra mais, ou não… assim não viro cidadão. Pascoal da Conceição Abobrinha e Reno , Palhaço Picolino, Rogério Avanzi, trazem o Circo , Renato Borghi , Raul Cortez, Etti Frazer, o Teatro, Zé Miguel a Música, a Cozinheira Zuria-O Sertão. Paulo Mendes da Rocha , Edson Elito, Raquel Rolnick.
O Urbanismo , Eduardo Suplicy quase tudo que apreendi de cidadanía, tudo e todos que possam testemunhar pelo futuro, discursam , eu discurso, canto, com todos os teatros. Nabil discursa. Quem quiser fala, canta, teatraliza. Uma grande atriz de São Paulo Giulia Gam ou Bete Coelho ou Alleiona Cavalli, ou Denise Assunção, encerram a cena lendo o final da Oréstia no papel da Cidade, de Atena, quando julga e absolve Orestes da violência do matricídio, podo fim a guerra civil na cidade e convidando ás Fúrias para instalarem seu terreiro em São Paulo .
E vamos todos para o Oficina cantando Ésquilo em afoxé, abraçando o Bexiga com muitos ramos de Hera, verdes, fitas verdes, onde um Banquete da Cidade com frutas comidas sagradas africanas, vinho sagrado de Dionísos, será servido a cidade a seus deuses. Um Banquete de Amizades Douradas, com folhas de bananeiras no chão de toda pista do Oficna dando no Buraco do Muro com Saída, festejando o Triunfo da Alegria do Teatro de Estádio,
A partir desta Semanas o Oficina começa preparar um grupo inspirado no livro centenário de Euclides e no Tyaso das Bacantes para ensaiarem na Jaceguai Teatro este movimento que da a entrada de novo em cena do Oficina Uzyna Uzona no processo de montagem pública de" Os Sertões"
Um Cartaz e um Jornal Euclideano conta o Teatro do Conflito para a afirmação de um Bexiga de Artistas, conteporâneo, verde, não exclusivamente mercantil, de exceção , no sentido francês do termo.
Vila Isabel da Samba e o Bexiga da teatro. Uma gravação digital do acontecimento prelúdio da guerra vitoriosa das Bacantes Sertanejas, para todo o pais, para o mundo. Divulgação em Internet, ao vivo nos jornais , rádios, TVs, uma peça republicana na emerção do movimento cultural da cidadania no Teatro. O Happy End da tragédia grega da Orestéia.
José Celso Martinez Correa.
Paraíso, 13 de março de 2002, 11174 anos de Antonio Conselheiro.
Merda
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