15/01/2001
O Teatro Oficina abre este fluxograma eletrônico em momento que não poderia ser mais propício e menos dramático. Tampouco poderia ser menos teatral. É a tragicomédia vivida: depois do tombamento do Teatro, em 1982, a ameaça de tumbamento, tumulamento.
A construção de um shopping, no entorno do Oficina, como planeja o grupo Silvio Santos, “embausaria” o teatro, impossibilitando a expansão em arena aberta no terreno que há nos fundos – atualmente estacionamento do Baú da Felicidade – ambição da Companhia Uzyna Uzona há vinte anos. Contradição do teatro-baú, o Teatro Oficina tem a vocação histórica de se tornar um teatro-rua, espaço de passagem, articulado com a paisagem urbana. Em 1984, Lina Bo Bardi desenhou o primeiro esboço arquitetônico deste projeto, batizado de Ágora. Desde então, surgiram mais dois projetos: os dos arquitetos Edson Elito e Paulo Mendes da Rocha.
Todos eles têm a preocupação urbanística de transformar o Teatro num espaço de passagem, com abertura para a rua Japurá, que termina no terreno que está aos fundos do Oficina. A idéia é que se constitua um local de real utilização pública, que faça parte da paisagem urbana, não se voltando para dentro, como uma caixa de sapatos, mas dialogando com a cidade. O projeto de Paulo Mendes da Rocha, contempla ainda a construção de outros prédios que auxiliariam na produção da Associação Uzyna Uzona: um embaixo do Minhocão e outros dois na rua paralela à Jaceguai, onde se localiza o teatro hoje.
A lei assegura que contruções até 300 metros próximas a um edifício tombado não podem prejudiar sua visibilidade ou estética. No entanto, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) já aprovou, preliminarmente, a construção do shopping, com base numa planta baixa – falta ainda a consideração do projeto todo para decisão final. No entanto, o promotor Daniel Fink está promovendo reuniões para que a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona e o grupo Silvio Santos conciliem seus interesses.
Impasse? O Teatro Oficina não quer o impasse e não é contra a construção do shopping. A contracenação dos dois projetos é símbolo da antropofagia, do tropicalismo, elementos sempre presentes na história do Oficina. Nas reuniões no prédio do Baú e no Teatro, convocadas pelo promotor, o grupo SS se propôs a construir os prédios que ficam na frente do Teatro, mas não quis tocar no tabu que se tornou o terreno dos fundos.
De acordo com os acertos do último encontro, o Oficina deve apresentar uma proposta de projeto para o shopping e teatro aberto. Além do apoio e assinaturas de artistas como Fernanda Montenegro, Ney Latorraca, Sergio Mamberti, Luis Melo e outros, o Oficina está colhendo depoimentos de intelectuais, arquitetos e homens públicos em favor do projeto Ágora.
No sentido da construção de um espaço urbano democrático, aberto e múltiplo; e não de fortificações e condomínios, o manifesto do Oficina também está disponível na internet para que seja acessado e divulgado amplamente.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
– 09/12/2007 Antropóloga estuda audiovisuais do Oficina
– 07/11/2007 Espetáculo infantil no Oficina
– 04/10/2007 Ió, Zé Vicente!
– 12/09/2007 Oficina no Arquivo Miroel Silveira
– 10/09/2007 A Playboy de Bárbara Paz
– 21/08/2007 Sylvia Prado e Ana Guilhermina na FSP
– 12/08/2007 Renato Borghi comenta os 49 anos do Oficina
– 18/10/2006 Carta do oficina ao Ministério da Cultura
– 16/07/2006 Para Lembo, SP repete Canudos
– 13/06/2006 TEATRO OFICINA NA LISTA NEGRA DA FOLHA DE SÃO PAULO
– 11/02/2006 Folha de SP - Obra de Silvio Santos terá de ser alterada
– 24/01/2006 O TRÉP do 25
– 13/12/2005 Entrevista de José Celso ao portal de Antropofagia
– 30/09/2005 Uma completa obra de arte dionisíaca
– 23/09/2005 OS BONS E OS MAUS - 2005
– 20/09/2005 24 horas não são um dia
– 16/09/2005 O Mundo Como Marginal, o Marginal do Mundo
– 15/09/2005 Teatro Oficina recebe críticas alemãs por suposta pornografia
– 14/09/2005 Folha de S. Paulo - Grupo Oficina
– 24/01/2005 Rádio Cultura AM - A Situação Atual do Projeto
– 29/12/2004 Folha de S. Paulo - Intimista e contundente, "O Assalta", dirigido por Marcelo Drummond, é primeiro texto de José Vicente
– 16/08/2001 A Situação
– 16/05/2001 Ágora? agora
– 30/11/2000 Folha de São Paulo - Oficina propõe alternativas ao grupo SS
– 29/06/2000 O Estado de São Paulo - ZÉ CELSO GANHA ALIADOS NA LUTA PELO OFICINA
– 07/06/2000 A Tarde - PREFIRO A BARBÁRIE!
VÍDEOS RELACIONADOS
08/02/2010 Oficina e Vai Vai aliados na luta pelo Bexiga