13/06/2006
O crítico teatral Sergio Salvia vem demonstrando um desleixo desesperado com a profissão. O seu estado de cegueira diante da grandeza da ressureição como força cultural do teatro em São Paulo não lhe permitiu gozar o impacto do espetáculo do Grupo Vertigem “BR3” e nem assistir até ao fim a quinta parte de “Os Sertões”, “A Luta II”, conclusão do ciclo de 5 peças montadas durante 6 anos com enorme recepção do público e da crítica no Brasil e no exterior.
Empacotando malabaristicamente dois espetáculos díspares na mesma crítica finaliza entretanto revelando o porquê de suas atuais posições abrindo o jogo num ato de protesto ao não valorar com as estrelas habituais os espetáculos criticados, revelando seu mal estar diante de suas condições de trabalho.
Conclui com esta frase, identificando-se ao sufoco espacial do Teatro Oficina lutando por seu Teatro de Estádio: “Que se permita ao crítico compartilhar da falta de espaço na qual a divulgação tem mais preço que a reflexão.”
A franqueza e a fraqueza do crítico não podem me deixar mais calado. Me dão a deixa para me dirigir a você, Marcelo Beraba, onbudsman do jornal, para saber o que está acontecendo.
Sei por fatos concretos que passo a narrar e por conversa com meus amigos que trabalham na Folha que o Teatro Oficina, nosso trabalho e minha pessoa estão na Lista Negra do jornal. No Congelador. Tudo começou com a desistência da Publifolha de realizar a edição e publicação do texto integral das 5 partes da teatralização musical de “Os Sertões” que já estávamos preparando com o grande músico, jornalista e editor Arthur Nestrovski.
O pretexto foi explicitamente esse: minha participação em um comercial publicitário para o jornal O Estado de São Paulo.
Foi o próprio Arthur que me informou por dois emails desta decisão vinda de cima e justificada por esta razão: concorrência de marketing.
Fiquei perplexo e escrevi um email para Otavio Frias, mas não tive resposta.
Dias antes da estréia de “A Luta II – O Desmassacre”, Valmir Santos assistiu ao ensaio geral da peça para cobrir nossa conclusão do ciclo de “Os Sertões”. Muito feliz nos disse das galerias do Teatro em voz alta: ?Vou lutar para dar a capa da Ilustrada no dia da estréia.? Lenise Pinheiro fotografou caprichosamente todo o espetáculo com o mesmo entusiasmo. Todas as estréias anteriores, das outras quatro partes de Os Sertões, foram capa da Ilustrada e algumas capa também do guia. Não podíamos esperar menos na hora do desfecho do longo trabalho.
O editor Marcos Augusto Gonçalves, a 19 de maio, dia da estréia da conlusão do ciclo, apresentou na primeira página um “Super Mouse e seu amigo no topo dos downloads de Londres” e na página 8 duas notícias de estréia. Uma peça por coincidência retrabalhada por minha irmã Maria Helena que fora redescoberta por Luís Antonio, meu irmão, “A Canção Brasileira”, com uma foto em cor. Em baixo, num espaço menor, um texto muito elogioso de Valmir totalmente comprimido, sem uma foto de Lenise sequer.
Agora sai esta crítica de Os Sertões 2 em 1. O crítico neurotizado saindo no meio do segundo ato do espetáculo, faz uma crítica nas coxas e denuncia sua falta de espaço no jornal tomando atitude ao alcance do seu poder: nega as estrelas de valorização ou desvalorização do espetáculo.
Não posso acreditar que a ditadura do Marketing seja tão poderosa na Folha Ilustrada a ponto de obrigar os jornalistas a esta atitude de desprezo absoluto pelo seu próprio trabalho, desconsiderando a importância de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, no Teat®o.
Foram seis anos produtores de uma verdadeira revolução no próprio Teatro Oficina causada pelo reconhecimento do Poder da Arte Teatral de reernergizar, com as crianças do Bexiga, com mais de 100 artistas, técnicos multimídia, com o grande público, com o reconhecimento internacional de “Os Sertões” todo o movimento vital de criação de um centro de encontro de todos os guetos pobres ou ricos de São Pã num Teatro de Estádio, numa Universidade Antropofágica de Cultura Brazyleira, numa Uzina de Florestas Tropicais no entorno do Oficina, no umbigo do Bixiga, ameaçado de Massacre há mais de 25 anos pela construção de um Shopping Silvio Santos.
O texto de Marcelo Coelho publicado dias atrás é outro sintoma: em plena escuridão do MASP cai de pau em cima de quem? De Lina Bardi, conformando sua opinião à de Vejinha, que em todas as críticas é obrigada a dizer que a peça é muito boa, mas longa, e o teatro desconfortável.
O que acha Ombudsman?
É realmente uma questão de ditadura do Marketing ou a geração dos pentelhos dos anos 80 contra os de 68 sai do armário aproveitando-se da radicalização da direita?
Tem qualquer coisa de podre neste reino.
O que tuas antenas antenam?
Tenho curiosidade de saber.
José Celso Martinez Corrêa
M E R D A
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