15/09/2005
Berlim, 16 set (EFE).-
O grupo brasileiro “Teatro oficina”, que representa “Guerra no sertão” no Volksbuhne da capital alemã, foi criticado por alguns elementos da obra, considerados pornográficos por parte da imprensa alemã. Os jornais sensacionalistas Bild e BZ publicaram artigos de páginas inteiras para protestar contra a presença do grupo brasileiro em Berlim e pelo fato de a obra ser subsidiada com, de acordo com o primeiro dos dois, “dinheiro de nossos impostos”. Curiosamente, o Bild tem todos os dias uma modelo nua na primeira página com uma legenda sempre insinuante. Tanto o Bild como o BZ criticam especialmente o fato de na obra, que estreou nesta semana, participarem também quarenta estudantes berlinenses, com média de idade de 14 anos. O diretor do grupo brasileiro, Zé Celso, definiu a orgia como o fundamento de seu teatro. “A orgia é o fundamento do meu teatro e o desejo da orgia vive em cada cultura e em cada pessoa. O teatro pode contribuir para libertar esse desejo”, diz Zé Celso em entrevista ao jornal Neues Deutschland. Através da representação da orgia, Zé Celso, procura mostrar a mistura de povos que deram origem à nação brasileira mas considera que o tema ultrapassa o nacional e tem universalidade por isso não duvida que é entendido na Alemanha. “Trata-se do ímpeto de liberdade das sociedades isoladas. Mas eu vejo isso só do ponto de vista político, econômico ou militar. Trata-se da libertação das origens humanas que isolamos em nós”, diz Zé Celso. Em uma das apresentações, um espectador de quase 60 anos se deixou levar por esse ímpeto e se despiu para subir ao palco e dançar com os atores brasileiros, o que é comentado hoje com escândalo pelo Bild e com interesse pelo crítico de teatro do “Berliner Zeitung” No entanto, o Bild qualifica a obra de “pornoteatro” e se pergunta o que os problemas do Brasil tem a ver com orgias sexuais. O jornal Berliner Zeitung faz graça da polêmica levantada pelas duas publicações sensacionalistas e manifesta sua surpresa de que tenha sido despertado o interesse pela cultura em diários em cujos anúncios classificados é possível ver ofertas de “polonesas baratas e complacentes” ou “erotismo tailandês e francês, anal puro”. Para Mathias Pees, o produtor da obra, as críticas do Bild e do BZ devem-se a um mal entendido já que a obra não tem nada a ver com pornografia, mas com a história do Brasil. Além disso, o Volksbuhne garante que os custos da montagem não são cobertos com dinheiro dos contribuintes berlinenses, como afirmou o Bild, mas com contribuições de instituições brasileiras. A peça de Zé Celso tem 24 horas de duração e o Volksbuhne a representa por partes em cinco noites.
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