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TANIKO, O RITO DO VALE


TANIKO – O RITO DO MAR
um Musical Nô, Bossa-nova TransZênico

Peça da Companhia de Zeami (1363 a 1443), ator, compositor, diretor, dramaturgo, dançarino, filósofo, o grande Criador do Teatro Nô, o Shakespare Japonês.

TANIKO foi a última encenação de Luís Antonio Martinez Corrêa, premonitória de seu assassinato. Luís criou uma encenação sensorial, de intensidade emocional tempestuosa trabalhada na contenção, como ZEAMI, o criador do NÔ, gostava. Por dentro, cada atuador pilhava seu Corpo de 100% de intensidade energética, mas liberava exteriormente somente 70%. Os 30% retidos, vibravam estranhamente contidos, num Espaço Mágico onde Luís Antônio, também Arquiteto, reconstruiu O Espaço Cênico do Teatro Nô fazendo:

A PONTE, por onde os atores entravam e recebiam no Corpo as Entidades. Quando saíam de cena deixavam que elas escapassem no ar, à vista do público, retomando seus Corpos-Almas pessoais. O CHÃO DE TATAME, onde o público acomodava-se, descalçando-se antes de entrar no Terreiro Zen Budista. A ÁRVORE por onde desciam os deuses. O PALCO DE TÁBOAS DE MADEIRA TRATADA, COM TELHADO EM FORMA DE “V”. Sua encenação revelou a peça para o Oficina.
Em 1997, na celebração dos 10 anos da Ethernidade de Luís Antônio Martinez Corrêa, no dia 23 de dezembro, dia em que todos os anos Cantamos o Bode do Amor Matado, Assassinado, o OFICINA UZYNA UZONA recriou essa peça, musicando seus versos, retomando o trabalho do CORO DO OFICINA.

Agora, 10 anos depois, o Grupo recriou TANIKO com o nome de “O RITO DO MAR” antropofagiando os 100 anos da Imigração Japonesa para o Brasil.

A Peça é uma VIAGEM INICIÁTICA. Inicia-se no Porto de Kobe, no Japão em 1908, no navio Kasatu Maru. Yamabuchis Peregrinos, Monges Mochileiros Budistas, desejosos de aventura, atravessam os mares do Japão, da China, o Equador, os Mares do Sul, dobrando o Cabo da Boa Esperança, em meio aos que buscam trabalho nas fazendas de café do Estado de São Paulo, e termina no Porto de Santos.

A personagem principal é o KOGATA, nome da entidade de Criança, Ator Principiante no Teatro Nô, interpretado por Ariclenes Barroso, vindo do Bixigão, trabalho do Oficina com as Crianças do Bixiga, formado na Universidade de “OS SERTÕES”, tem aqui sua primeira protagonização à altura de seu enorme talento.
Marcelo Drummond faz o WAKIO MESTRE, apaixonado, como todo bom MESTRE, pelo ator principiante, Criança.
No Teatro Nô o WAKI é a entidade ligada ao concreto, ao que chamamos “Realidade”, opõe-se ao SHITÊ, entidade que encarna o CÉU, os DEMONIOS e os FANTASMAS.
No caso 3 Performances: MÃE, CACILDA-ARIADNE-LULÚ, O DEMÔNIO GINGAKÚ, criados pela atriz Sylvia Prado.
Corifeados pelo TSURI, Segundo Mestre, interpretado pelo ator cubano Hector Othon.

Há o CORO DE IAMABUCHIS, mochileiros budistas formado pelo CORO DE PROTAGONISTAS: Anthero Montenegro, Camila Mota, Flávio Rocha, Julianne Elting, Lucas Weglinski e Rodrigo Andreolli.

Há a banda como no teatro NÔ mas de formação contemporânea UMA BANDA DYTYRÂMBICA DE BOSSA NOVA TRANS-ZÊNICA dirigida por Guilherme Calzavara na Bateria, Adriano Salhab na Guitarra e Violão,

Marcos no Baixo, Rodrigo Gava na Sonoplastia e no Teclado e Ricardo Nash na Flauta de Buda.

O Ritual iniciático de um Novo Corpo, uma nova Anatomia, forjada na Bigorna agora Dourada das Bodas de Ouro dos 50 anos do Oficina Uzyna Uzona exigiu um treinamento intenso da kundaline, da respiração tântrica em que inpira-se e expira-se pelo ânus, um CRÉO sublimado na beleza das batidas também cinquentenárias da Bossa Eternamente Nova.

Os Atores, Músicos, Técnicos Science, trazem o calor de Maio de 68, pro aqui agora deste Maio gelado de 2008.

Nos anos 68 e 70 a juventude considerava a possibilidade de Orientar-se pegando Aquele Velho Navio com um Casaco de General, cheios de anéis, para esquecer as Babys, eram os Iamabuchis daquele tempo. Os de hoje viajam na ARTE DO TEATO, buscando a Iniciação na ação criativa de encontro com a Pequena Multidão chamada Público, iniciando-se simultanemente com ela, no Desconhecido mundo em gestação no Degelo do Império Americano e na Revolução Cyber.


TANIKOO RITO DO MAR

REALIZAÇÃO
Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona

DIREÇÃO
José Celso Martinez Correa

PRODUÇÃO
Bia Fonseca

FIGURINOS
Sônia Ushiyama

ESPAÇO CÊNICO
Rafael Ghirardello

LUZ
Ricardo Moranez

Com assistência de

Rafael Ghirardello

CÂMERA E DIREÇÃO DE VÍDEO
Gabriel Fernandes

MESA DE CORTE
Jair Molina Jr

DIVULGAÇÃO
Francine Ramos

DIREÇÃO DE CENA
Aguinaldo Rocha
Aneliê Schnaider

Assistência

Jonathan

CAMAREIRA
Cida Melo


Fotos de Maurício Shirakawa


Pelo phoder de Zeami

Em quem há tantos anos confiamos

Pela deidade dessa embarcação

Pelos bons deuses que mantém a lei de Buda Dionyzos.

Ao fundidor da nossa linha, aquí, no trópico das cabras…

Exu de Pindorama.

Bundo.

Suspirando, gemendo e amando

comendo e sendo comido neste vale de lágrimas…

Venha Tesão…

Com paixão.

Atenda nosso desejo!

Mande o mensageiro do Espelho da flor!

O Anjo da música Celestial!

Infernal.

Terrenal.

Tenha carinho por nós! Carinhoso.

Que venha a maravilhoso!

O charme do profundo!

A flor rara!

O conhecimento!

A primeira beleza!

A força bruta!

O chumbo grosso!

O ouro puro!

As tecnologias!

A existência e O nada!

Zeami, trabalha!

Manda o seu enviado,

o deus que dança

a música

do Espírito da Terra.


ENREDO

No Barco vem o Menino, KOGATA.

Arrisca-se ao deixar a Mãe doente no Japão, a seguir com o Mestre e os Mochileiros, para o Brasil, sabendo da existência da GRANDE LEI que estabelece que quem nesta VIAGEM INICIÁTICA for tomado de um grande cansaço, ou ficar doente, tem de estar de acordo em dizer aos companheiros que sigam em frente e o deixem no caminho. O KOGATA é vencido pelo cansaço, na Longa Viagem, quando o Barco encalha na Ilha de Inhatú Mirim em Florianópolis. Esta parada forçada é o lugar escolhido pelo desconhecido para a Tragédia acontecer.

O Menino KOGATA atira-se aos braços do Mestre e revela não estar mais aguentando o cansaço da Viagem. O Mestre inquieta-se e procura acalmar o Menino. O TSURI, Segundo Mestre, e os Iamabuchis ouvem o Menino fazer esta confissão e entristecidos decidem praticar com ele o “RITO DO MAR” deixando-o abandonado no Mar, de Acordo com a Grande Lei. Mas o Cogata diz Não. Exige que o comam, e depois o joguem morto no mar, pois não quer morrer só, no Oceano.

Os Iamabuchis cumprem o Rito apesar do MESTRE tentar impedir. Depois do feito, o Mestre apaixonado pelo discípulo, não quer mais seguir a viagem e pede para ser submetido ao “RITO DO MAR”. Os Iamabuchis desesperados não sabem mais o que fazer e ficam paralisados na Embarcação, esperando a Morte. Mas o MESTRE diante do desespero de todos, concorda em continuar a Viagem, se a Grande Lei for transmudada em:

NÃO SE MATA O QUE SE AMA

Invoca o Poder de Zeame, o criador do Nô para inspirá-los no que fazer, para ter de volta o Menino KOGATA.

Zeame interpretado por Zé Celso, surge, e incita-os a continuar até o Porto dos Santos onde o Marinheiro Negro da Embarcação, que queima nas Fornalhas do Navio, virará BUDA BUNDO e trará o Menino de volta, num Rito de Teatro de Candomblé.

Eles seguem viagem, chegam ao tão esperado Porto de Santos e encontram-se com CACILDA ARIADNE LULU, que dá a eles o fio do LABRYNTRO pra encontrar o BUDA BUNDO no Terreiro do Fundo do Mundo. Com seu fio em Caracol vão percorrndo o Labryntro até encontra o BUDA BUNDO, interpretado pela cantora Célia Nascimento que Invoca o Demônio GINGAKÚ e tira o Menino do Mar.

O IOGUI BRASILEIRO SÃO JOÃO GILBERTO é invocado no Canto de retorno do Kogata à vida.

Assim, a Bossa Nova, nesta peça revela-se influenciada não somente pelo Jazz, mas também pelo Zen Budismo. Nem deve ser por outra razão que João Gilberto ama e é tão amado no Japão, onde depois do Carnegie Hall em Nova York, vai dar seu Show dos 50 anos da Bossa Nova.

O musical traz ao Yoga, o rebolado da Bossa Nova e passa como uma Meditação teatralizada, em que o público sai em Catarsis pela Luz emanada do BUDA BUNDO.


Clique aqui para baixar a reinterpretação do diretor para a atual montagem em PDF de 9 pgs.


O Oficina realizou o rito-peça Taniko, de Zenchiku, na semana do Sesc Paulista em homenagem aos 100 anos da Imigração Japonesa, em 22 e 23 de abril de 2008 e temporada entre maio e junho na sede do Teatro. Em 24 de junho de 2008 foi encenado na Semana Luís Antônio em Araraquara.



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