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EVOéROS TEATRO DE ESTáDIO


19/06/2009

A Montagem de “O Banquete” de Sócrates & Platão vem da necessidade de apreendermos com os antigos a superar a abstração do diálogo público em nossos encontros, assembléías políticas, artísticas, em plena agonia histórica, camuflada numa linguagem fundamentalista burocrática tipo “a nível de”, “questão de ordem”, “Vossa Excelência”, etc…, sempre carregadas de ressentimento, reclamação, chororô, competições, egolatrias.

Na noite da festa dos 50 anos do Oficina o vinho foi servido fartamente mas depois de algum tempo muitos virados vinho-avinagrado encapacitaram-se para ouvir, música, versos das peças, fechando-se nun narcisismo boçal bêbado.

Senti que tínhamos de aprender como os gregos conseguiam em seus banquetes, entregarem-se aos prazeres do encontro, com amor erótico pela conversa, beleza soando verdade poética, bebendo o vinho sagrado de Dionisios, com sensualidade, delicadeza, reconstruindo a vida vivida a cada instante, em milenares sabedorias atravessando milênios. Óbvio que no próprio texto de “O Banquete” de Platão & Sócrates há a recaída exemplar na baixaria alcoólica do belo Bofe Alcebíades. Cena atualíssima da relação do amante-amado, quando carregado de ódio e amor.

Recriei o “Banquete” em verso, que leva cada discurso como Cantadas, no sentido que damos popularmente à esta bela palavra. O criolo-português, o brazyleiro, é uma língua muito rica, em que cantar quer dizer também paquerar, e poder é phoder. Nesta língua amorosa phalada com ph reescrevi, sem modéstia, muito inspirado, este texto. Sempre pesquiso a relação amante–amado como base do saber e da prática teatral. Considero “Fedro”, outro diálogo de Sócrates & Platão um dos livros mais importantes para a sabedoria dada a quem quer atuar.

O Ator é o amante do público e do outro ator com quem contracena que são seus amados. Projeta sobre eles suas fantasias, e os vê como deuses. Se o público e o ator com quem contracenam se vêem pelos olhos do amado, tornam-se amantes também e a viagem da Orgya Teatral Mágica realiza-se.


Lacan, no seu Simpósio nº 8, todo dedicado ao “Banquete”, estranha como este texto pode ter atravessado gerações e gerações de inquisidores, monges fundamentalistas cristãos, e ter chegado até nós. Como separavam corpo de alma, davam a célebre interpretação do “amor platônico”, um amor onde não entra o corpo considerando a cena em que Sócrates, personagem que vou ter o prazer de fazer, recusa-se a transar com o belo e rico Alcebíades, como um exemplo de que Sócrates somente queria o amor espiritual e não carnal de Alcebíades.

Eu sempre desconfiei desta interpretação que vinha nas notas das traduções da editora de ouro. Estudando agora em mim os meus 72 anos de vida amorosa, e desde “Bacantes” a mitologia, filosofia, teatro, poética grega, fica claro que os gregos acreditavam como eu acredito que o Amor chamado platônico vem de uma ligação entre o amor mortal e o imortal, entre a divindade, o mistério da natureza, e o nosso amor carnal. O Amor carnal em si não é nada se não baixa a alma elétrica virada corpo tântrico. Parece às vezes mesmo que o Amor neste sentido é só possível entre poetas, na foda dos estetas. Mas todos que se apaixonam conhecem este amor eletricidade, sugado pelo cristianismo até transformar-se numa caricatura do amor rheal, numa “cara”, numa representação do amor.

O “Banquete” acima de tudo virou um Banquete onde é servido com vinho o amor, o diálogo amoroso, nesta época de inflação de monólogos de falso amor, de auto-ajuda, para se manterem as coisas como estão, isto é, caminhando para devastação ecológica da espécie naturalmente amorosa, humana.

Platão tem um lado terrível, em sua República expulsa os poetas, mas contraditoriamente apaixonou-se por outro dialético chato – Sócrates, que quando ouvia o Canto das Cigarras recebia seu Daimon e era tomado por Eros – apaixonava-se e phalava de amor como ninguém. Nas “Bacantes” já Semelle, a mortal, apaixonada por Zeus, o seduz para amá-la como uma deusa, na sua forma de Zeus, desejando misturar o amor mortal ao imortal e paga com a vida, dando à luz Dionísios. Foi a primeira mártir deste perigoso amor, que com o tempo foi transmutando-se na prática tântrica, e na redescoberta hoje nesta nossa mudança de Era.

É um sentimento que está na melhor música popular, poesia de nosso tempo, e que estende-se assim à toda sociedade na Guerra do Amor para impedir que a Guerra da Devastação Atômica, os Crimes contra o Meio Ambiente, a Sofística da especulação financeira, o instinto de morte, liquide o planeta e todas suas espécies.


Começamos a peça com Marcelo Drummond nos trajes de “Bacantes” na frente do espaço vizinho ao nosso onde queremos erguer um Estádio de Teatro para realizar Dionisíacas. Marcelo faz AHGATÃO, saindo vitorioso de uma Dionisíaca no Estádio vizinho ao Teatro Oficina sua casa, onde oferece um Banquete a Aristófanes (Sylvia Prado), o maior comediante de teatro de Estádio de todos os tempos, a Erixímaco (Rodrigo Andreolli), um Curandeiro do Amor celebridade da Grécia, antiga, e Pausânias (Mariano Mattos), um célebre Corega – patrocinador de Coros do Teatro Grego, a Diótima, alter ego de Sócrates feiticeira, Xamã, (Camila Mota corifeando sua Corte de Mulheres do Banquete), as cantoras Cellia Nascimento, Letícia Coura, as bacantes Patrícia Winceski, Ana Abott, o Olimpo todo, Zeus (com o ator cubano, o célebre astrólogo de São Paulo, Hector Othon) e Hera (Fabiana Serroni), Apolo (Márcio Teles), Hefaísto (Acauã Sol), Jesus Cristo, Fedro (Lucas Weglinski) – o primeiro grande criador da escrita na Grécia e rapaz muito belo, amado e inspirador de Sócrates, o Muso dos Musos. Sócrates (Zé Celso) e AriscoDemo (Ageboh Cyrille), o ator africano de Camarões, discípulo fascinado de Sócrates a quem devemos a existência deste texto, pois ele foi contar tudo a Apolodorus que recontou por sua vez a Platão que o transformou em escrita. Pênia (Naomy Scholling) incorporará a penetra, a bicona, que vai fazer Maria Madalena Puta mendiga que vinda do Bairro do Bixiga, bate nas portas do Oficina para pedir esmola das sobras do banquete encontra Jesus dormindo e faz nele um filho, Eros, que nasce ao mesmo tempo que Afrodita. As entidades referidas no texto de Platão ganham vida no Banquete como se convidados pegassem os santos de Hesíodo, Homero, Aquiles, Pátroclo, Hektor, Alceste, Ésquilo etc…

Agatão convidou tambem Orfeu, (Rodrigo Jubelini) com seu violão que fazia o dia nascer, o Ator Músico Adriano Salhab tocador de rabeca, guitarra, o Dytirambista Percurssionista que traz no nome sua divindade rítmica; Icto Ito Alves e o músico novaiorkino Brad tocando Clarinete, Flauta e Baixo Acústico. O DJ Gava. Os cybers Cassandra Melo, Jair Sanchez Molina, Renato Banti. Cida, a camareira. Cris Cortílio, Carila Matzenbacher, na direção de arte, Elisete Jeremias e Rafael Girardello na direção de cena.Tommy Pietra nos pluga no Site com o Mundo e talvez com a possibilidade de transmissão pela internet desta Noite de São João que sabemos será inesquecível.

Ana Rubia é a Produtora desta aventura, pois vindos de Zagreb onde fizemos uma leitura encenada em 1 semana, estamos realizando o milagre de em poucos dias a custo zero levantar esta festa junina maravilhosa, inspirados no poder desta mulher, de meu Chefe de Gabinete Valério Peguini, e de toda uma equipe liderada por Simone Rodrigues, na casa de produção do nosso teatro.


Todos em palcos camas de casal, em torno da mesa do “Banquete” assim como o público, também convidado pelo preço de R$40,00, entrada inteira e R$20,00 para estudantes.

Serão vendidas para os que quiserem beber vinho fichas coloridas em 3 cores, para aquisição de três taças de vinho da casa Valduga do maravilhoso vinho ARTE. Em três momentos do banquete estas taças serão servidas para os que quiserem e estiverem com as fichas. Depois de finda a peça, a festa continua e o vinho poderá ser comprado por quem quiser na quantidade que quiser.

Além do público do Oficina, teremos promoções especiais para o público de grupos de periferia ou mesmo do Bairro do Bixiga, nosso público que luta conosco pelo “Anhangabaú da Feliz Cidade”, a “Universidade Antropófaga”, a “Oficina de Florestas” e a “Ágora do Bixiga” em vez do Crime Ecológico já praticado e anunciado a ter prosseguimento pelo Grupo SS, apresentado já na cena tipo “Faixa de Gaza” no entorno tombado do Teat®o Oficina, de escombros de Casas Tombadas pelo CONDEPHAAT derrubas, da destruição da 1ª Sinagoga Paulista, do pó do prédio da Ex-Caixa Econômica de onde foi levada uma população inteira de “sem teto” para longínquas periferias.

Dia 24 foi escolhido por ser a noite mais longa do ano, o Natal na Terra no Hemisfério Sul. Por ser aniversário de dois irmãos meus: o arquiteto João Batista e o Artista da Arte Musical do teatro Brasileiro Luís Antonio Martinez Corrêa, e sobretudo por ser noite de São João, Xangô Menino, quando vai nascer o deus do amor, cantado em toda peça : Eros.

24 de junho de 2009, 21:00h – estréia
26 de junho de 2009, 21:00h
27 de junho de 2009, 21:00h
e 28 de junho de 2009, 19:00h – temporada
duração : 120 min.

Serão somente quatro apresentações, que estamos fazendo a custo zero, esquentando maravilhosamente nossas baterias para dia 6 de Julho dar início aos ensaios de “Uma estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”

Os ingressos comprados com antecedência na Casa de Produção com nossa secretária Vanessa Tomaz irão contribuir muito para esta nossa produção de tempos de crise. Telefones são 11 31040678 | 31065300.

Um dia na ONU houve um fato histórico, sintoma desta Era em que já entramos quando, nos rituais fúnebres da morte do nosso deus da diplomacía, Sérgio Vieira de Mello, em que o então Ministro da Cultura Gilberto Gil, pediu a Kofi Anaan que cessassem os discursos e que ele fosse para o Tambor. Um momentio nada utópico, porque aconteceu, e revela que as conversações entre diferentes, sempre carregadas de ameaças, retaliações, punições, reveladoras do instinto de Morte, superando o da Vida, levando à Guerra, ao Extermínio da espécie e do meio Ambiente, não é uma condenação, um castigo da Humanidade.

Estamos mais que próximos vivendo a possibilidade da humanidade encontrar-se inspirada em Eros o deus do Amor. Os que votaram em Lula, em Obama, aceitando, desejando a mudança de Eras, as multidões do Iraque lutando para desfundamentalizar a vida, os índios do Peru reconquistando suas terras quase tomadas pelo presidente do Peru, os que fizeram os segredos do Senado virem à tona, o procurador Protógenes, já nestes dias praticam este “Banquete” que eu chamaria hoje de “O Banquete de Pratão” pela Era Antropofágica que testemunhamos neste 2009.

José Celso Martinez Corrêa

Notas de direção, de produção e divulgação – 19 de junho de 2009


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