28/02/2009
O Grupo Silvio Santos avançou rapidamente, durante o carnaval, na demolicão de outro prédio ao redor do Teatro Oficina. Dessa vez foi o edifício da Rua Abolição número 415.
O antigo prédio abandonado da Caixa foi ocupado em novembro de 1999 pelo Movimento dos Sem Teto e abrigou em torno de 100 famílias ocupando os oito andares mais a sobreloja.
A partir do ano 2000, no início do processo de criação de “Os Sertões”, a companhia Uzyna Uzona e os moradores do prédio passaram a realizar trabalhos conjuntos. O público do Oficina para “A Terra”, primeiro espetáculo da pentalogia, foi de uma maioria desses moradores, gente de todas as idades mas principalmente muitas crianças. Os ensaios para “A Luta de Famílias” foi realizado também com os moradores em performances na Rua Abolição e no edifício dos Sem Teto. Esse capítulo de “O Homem” conta as antigas vendetas no sertão do Ceará entre as famílias Maciel, mais pobre, a qual Antônio Maciel, o Conselheiro, pertencia e da qual deveria herdar a luta de famílias, e a família Araújo, detentora de terras e de poder na região. Antônio Maciel, protegido pelo pai, escapa desse destino.
A luta dos Sem Teto, sua organização para permanecerem no prédio criando condições de moradia e suas lideranças, como a de Suely Batista e Verônica, foram enorme inspiração para a criação dos Sertões.
O Movimento Bexigão, trabalho do Oficina com as crianças e jovens do bairro, em seu início no ano de 2002 foi formado por moradores do prédio. Dentre eles Alexandre, Laene e André Santana; Alex Neguinho, Aíla, Ariclenes Barroso, Mariana Oliveira, Júnior Beiço e Márcio Dionizio. Mariana está hoje na Companhia, atualmente faz o trabalho de assistência de produção. Ariclenes é ator do grupo e atuou nas recentes montagens de “Taniko, O Rito do Mar” e “Os Bandidos”.
Em 2003 a CDHU realizou atendimento aos moradores e houve a mudança de 28 das 100 famílias para um conjunto de edifícios no Brás para onde puderam ir apenas aquelas que comprovaram renda mínima para financiar a compra dos apartamentos, dentre eles Mariana e Ariclenes.
O muro com o grafite amarelo é da primeira sinagoga de São Paulo, demolida pelo Grupo Silvio Santos – foto anterior e essa são de Gabriel Fernandes
Vista a partir do interior do Oficina, através do janelão