13/12/2008
Hoje é dia de Santa Luzia, e de Exu, dia de pedidos para 2009.
Há
40 anos Oficina
estreava “Galileu
Galilei” do Velho
Brecht. Preparávamos
pra entrar em cena quando ouvimos no Rádio a proclamação
do Ato, o Aí!
5! Não
foi surpresa para nós, depois que vimos descendo de um ônibus,
onde foram exportados à força pelo Exército
Brasileiro de Porto Alegre para São Paulo, o elenco de
“Roda
Viva”, ferido,
sangrando, massacrado. Entraram como Coro
de Galileu
contracenando com os
Protagonistas do
Oficina. Só que
a Polícia proibiu o Coro
de ser Coro,
de tocar ou sequer olhar para o Público. Estreamos todos tendo
como roupa base figurinos cinza de prisioneiros e atrás de
grades. O espaço cênico era uma prisão que se
expandia pela Platéia. O Ato visava castrar a Revolução
Cultural que explodia no Brasil em 1967, no Mundo em 1968 e exilar,
eliminar fisicamente, os opositores do regime.
Durante
muitos anos esta data foi pra mim carregada.
Mas encenação de “Os
Sertões’ nos
deu a dádiva de lembrar que o dia 13 de dezembro é de
Santa
Luzia, a que joga os
olhos no prato pra olhar além do que esperamos pro ano que vem
vindo. Pra Ela, fazemos pedidos e consultas para saber se
teremos seca ou não no ano que vêm. Este ano dos 50,
nossa Bruxaria é o filmar com a presença do
Público o DVD de “Os
Bandidos”. Nesta
noite vamos atores e atores público, agradecendo todas as
benesses que a democracia vem nos trazendo para o Brasil, deitados
atores do público e da pista, no chão, olhando pros
céus ao som da Ode à Alegria de Beethoven com
letra de Schiller fazendo o pedido d’Ele, através da
personagem de Marcelo Drummond Damião de “Os Bandidos”
: “Tudo q tem q sumir / pra Liberdade Imperar / desapareça!
/ Adoremos! / Vamos, pra Alegria soltar a Cabeça! / Pro chão.“
Que
não sobreviva o maior vestígio herdado do AI V:
a Tortura, seja ela considerada crime inafiançável.
O Corpo humano é pra ser amado. É tão praticada
que pode ser que agora, neste momento, alguém esteja sendo
torturado.
OficinaUzynaUzona completou 50 voltas de atuação em torno do Sol, neste lugar sagrado, terreiro dos deuses do Teat®o Dionisios, Apolo e Pã, todos filhos de Zeus, e quer poder agradecer ao Governo do Estado que nos liberte do Beco sem Saída de 50 anos desta Pista onde AquiLina Bardi riscou uma rua de passagem dando pro Anhangabaú através da Rua Japurá. Que os Agentes de Proteção do Patrimônio que em sua maioria não aceitam a existência dos 15 anos da Pista Vitoriosa do nosso Teat®o Oficina Terreiro Eletrônico considerem o amor aos fatos e façam valer os 300 metros de nosso entorno, neste momento em demolições anunciando mais um $hopping que nos sufocará.
Que ainda neste ano (2008-2009) de nossas Bodas de Ouro, os Poderes Públicos e Privados da Cidade e do Estado levem em conta este valor da proeza da longevidade do OficinaUzynaUzona. Muitos saudaram esta façanha: Danilo Miranda Diretor do Sesc, Milú Vilela do Itaú Cultural, que quer que todos que trabalhamos a Cultura no Brasil criemos um grande movimento para que não haja cortes nas verbas de Cultura sob o pretexto da Crise, pois sair-se dela depende da ruptura de Ciclos Viciosos Mentais, que somente são conseguidos com a percepção Imaginativa e Crítica que somente a Cultura pode dar. O nosso grande amigo q viu todas as nossas peças, de todos os períodos, Senador Suplicy, que declara que o Oficina o formou Culturalmente. A Senadora Luiza Erundina, que deu início em sua gestão ao Projeto da Ágora sob o Minhocão, ressignando-o. O deputado estadual Carlos Gianazi, que nos levou até o chefe de Gabinete de Serra, Aluísio Nunes, para tratar da intervencão do Condephat no impedimento às obras do $hopping e a contrução do Anhangabaú da Feliz Cidade, Grupo Satyros que nos homenageou com uma carruagem vindo nos buscar para o Tributo que prestaram a nosso Jubileu. Do Rio veio um reconhecimento especial da Catedrática de Literatura da Universidade do Rio: Heloisa Buarque de Holanda. Esta artista da interpretação de nossa literatura em todas as línguas em que ela se manifeste: valorizou nosso Cinquentenário Louco com uma Exposição Cyber deslumbrante no Prédio dos Correios no Centro do Rio chamada “Vento Forte 50”.
Quero poder agradecer a intervenção de todos os Poderes, estatais e humanos neste instante em que todo quarteirão que cerca o Teat®o Oficina Tombado nos seus 300 metros de entorno pelo Condephat, em 1983, está sendo demolido pelo Grupo Silvio Santos para construção ou de um Shopping ou de 720 Apartamentos, nem sei..
Esta possibilidade simplesmente destrói uma das Obras Primas de Lina Bardi, seu Canto de Cisne, premiado pela Bienal de Praga, menção honrosa em Veneza este ano. Nesta Arquitetura Urbana esteticamente revolucionária nunca pisou o Governador José Serra, nem o Secretário da Cultura João Sayad, portanto não sabem o que estão destruindo quando lavam as mãos diante das demolições no nosso entorno, anunciando o Shopping que acabará com este Patrimônio Único da Arte Teatral no Mundo. O Secretário Adjunto de Cultura Ronaldo Bianchi nos informou do resultado do meu encontro com o Chefe de Gabinete de Serra Governador do Estado através de nossa produtora Ana Rúbia, pois não queria minha presença no ato: “O Governo do Estado não vai agora se meter nos negócios de Comércio do Grupo SS.”
Temos
25 anos de relação com o Estado de São Paulo
Proprietário do Imóvel, Tombado pelo Condephat
de Azis Ab Saber, Flavio Império, na gestão do
Secretário de Cutura, o pianista João Carlos
Martins. Desapropriado pelo próprio Serra, Jorge da
Cunha Lima e toda a aristocracia brilhante do PSDB que constituía
a Secretaria de Governo de Franco Montoro, ReConstruído,
na gestão do arquiteto Ricardo Otake, da Sec. da Cultura,
no Governo Luis Antônio Fleury. Não podemos aceitar esta
decisão. Pois além da destruição de parte
do Projeto realizado de Lina, pode vir a massacrar sua completação,
o projeto que ela riscou, enriquecido nos 28 anos desta peça
em cartaz: “Grupo
SS X Oficina” o
“Anhangabaú
da Feliz Cidade”,
abrindo um espaço público sem grades, com Teatro
de Estádio, Universidade Antropófaga, Oficina de
Floresta, e uma Ágora.
Este projeto tem o poder de revitalizar o destino histórico do
Velho Bixiga como umbigo, ponto de encontro de São Paulo, hoje
toda separada em guetos pobres ou ricos, sem um ponto de
encontro da geral, como a Lapa do Rio ou o Pelourinho
da Bahia, o Recife Velho.
Em
plena crise em que o Governo Lula luta por transmutar a especulação
financeira em investimento na Economia real, vital, no nosso espaço
sentimos esta possibilidade exemplar de transmutação,
ao mesmo tempo que a mesma ameaça do AI V de 1968; nosso
extermínio. Em plena Perestroika do Capitalismo a
especulação imobiliária selvagem como a
que nos ameaça como um golpe militar, equipara-se à
ditadura militar, algo intocável e Ponto Tabú.
Indiscutível!
No
meu Imaginário o ato
militar deste dia, tem o sentido da decretação da vida
viva no Brasil de umTabú.
A
Oportunidade que nós mortais temos hoje tem com o
surgimento de Morales, Chavez, Corrêa, o “eixo
do mal” na
América do Sul, Índios no Poder, criando uma América
não somente Latina mas IndoAfroLatina seria inconcebível
há uns anos atrás. O desejo de transmutação
e fim do Império
Único, festejado
globalmente com a vitoria do Change
de Obama, com a Ecologia
tornando-se uma realidade de
enorme presença Político-Trans-Humana
em meios a estas catástrofes
provocadas pela nossa ignorância e crença boba a
qualquer custo no Progresso, encoraja-nos a jogar no lixo da
história este ato indecoroso militar desse dia 13.
Gostaríamos
que os militares, a Polícia, também frequentassem nosso
teatro. É mais que tempo da Sociedade Civil irmanar-se à
Militar e à Policia, a exemplo da brilhante atuação
do Exército Brasileiro na Catástrofe de Santa Catarina.
Com
a queda dos Muros de Wall Street, a Revolução
da Internet, podemos não mais contruir nossas vidas sobre
Preconceitos , Tabus, dos Pilatos que lavam as mãos
para destruição de coisas belas de SamPã como
Oficina. É falta de amor próprio que nós
paulistanos temos de superar no nosso poder de agir, Oswaldianamente
valorizando as Santerias
da Casa. E eu quero poder
agradecer a todos, inclusive a Silvio Santos, de não permitir
a destruição do Oficina nem no seu Cinquentenário,
nem nunca por que não quero responsabilizar ninguém
historicamente por este massacre estilo AI V.
Santa
Luzia nos dê olhos pra encontrarmos os caminho de saída
da crise que não nos leve à uma terceira guerra
mundial.
Aqui
nestes 400m2 de mundo como em qualquer lugar do Globo, vivemos este
impasse, este ponto de mutação. A Exu pedimos abra
literalmente nossos caminhos ! A Todos Paixão pelo Teatro que
também é filho de Deus e de deuses.
Somos da Crise, e se ela vier, Cultura para quem quiser
Gracias
Senõr
José
Celso Martinez Corrêa
Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona
Amor/Humor/Ardor/Merda