ENTREVISTA DE JOSÉ CELSO MARTINÊZ CORREA SOBRE 68
E se os ideais do “é proibido proibir” tivessem tido êxito ?
Não é exato falar-se de“ideais de 68”. Não foram “ideais” mas sim experiências concretas vividas em todos os momentos, naquela, em outras e em nossa época, só que em escala planetária, o gosto do “aqui agora”. Em 68 ruiu em escala planetária o TÚMULO MESSIÂNICO em que o tipo de Civilização judaico-cristã-maometana- comunista–liberal e neo liberal envolvia o Corpo Humano com a piração de viver-se não para o instante, mas para o dia em que fôssemos pro céu, ou ficássemos ricos, ou tivéssemos uma sociedade igualitariamente justa, ou encontrássemos o amor perfeito. Este estar estando no mundo foi uma peste que contagiou muita gente. Caiu o Cabaço da Civilização e a Febre do Paganismo de Dionisios retorrnou, como pode retornar a qualquer instante, em cada um de nós, ou em multidões, agora em 2008. Como está presente agora em muitos de nós mortais. Muitos de nós continuamos sim em 68, quer dizer aqui agora em 2008, vibrando com a peste de estar vivo.
Outra palavra que não cabe pra se entender 68 é “ÊXITO”. No Corpo em estado 68, sim porque 68 é um estar antes de tudo. A palavra Êxito é mais do glossário do Messianismo Capitalista, não tem muito sentido para se falar no 68. Só se for aplicada ao “êxito de estar aqui agora, vivo respirando”. Este estado é uma vitória sobre o catecismo messiânico.
E se a imaginação tivesse, de fato, chegado ao poder ?
O Conceito de Poder em 68 tramsmutou-se. Não é um lugar geográfico onde fica o Poder Estruturado: por exemplo o Pentágono ou o Gabinete do Presidente da República. Este poder, 68 percebeu, está metafisicamente em tudo, até no ar que respiramos, mas há um outro Poder, o que está na Vida e em Nós Mesmos, no Nosso Poder Carismático da Presença Viva de nosso Desejo Humano diante do Poder Estruturado da Máquina que envolve a sociedade toda, que também está dentro de nós. Nós também somos, por um lado, nossa própria Polícia. Temos dentro de nós este Poder Maoinal tentando sempre nos Capturar. Assim hoje, muitas pessoas zelam, como eu tento zelar, pelo meu Poder Humano. O meu próprio trabalho cultural é de cultivo, no Teat(r)o, do Poder Humano.
E quando uma pessoa de Poder Humano ocupa um Cargo na estrutura de Poder Maquínico ela pode perfeitamente estar transmutando a estrutura messiânica através de sua ação presentificadora. O caso mais óbvio é o de Gilberto Gil, autor do verso “o melhor lugar do mundo, é aqui, e agora” no Ministério da Cultura. E de muitas outras pessoas que ocupam Cargos no Poder Messiânico e não se tornam escravas dele, mas ao contrário agem, lutam como Políticos 68, para transmutá-lo a favor do Instante Vital. O “É proibido proibir”pra mim e pra muita gente continua valendo, pois a liberdade é o maior tesão q sentimos quando nos descobrimos vivos aqui agora.
Maio de 68 teve, mesmo, essa importãncia toda?
Em 68 aconteceu o que aconteceu com o cristianismo no Fim do Império Romano. O Início de uma Transmutação Revolucionária de Valores. Houve depois, certo a “RESTAURAÇÃO” do Estado, do Capital e do Catecismo Messiânico. No Brasil de uma forma Violentadora do Corpo com a Tortura e o Choque Elétrico.
Hoje, é obvio que uma parcela imensa de jovens e velhos “politicamente corretos", temerosos de sua Liberdade, enquadram-se e protegem-se neste catecismo messiânico. As grandes percepções que em 68, neste estado eram intuidas unificadamente, foram depois setorizadas, classificadas, a nivel de, pela Ordem e Progresso, sem Amor: aqui é a “Revolução Sexual”, ali, a “Ecológica”, lá a na “Música”, a “Feminista”, a “Social”, a “Gay” etc… Rimbaud um dos Poetas Ressucitados em 68 com todo Vigor proclamava o dia instante de possuir uma verdade numa alma e num corpo.
O que um Corpo capta, sente, foi compartimentado em Papéis Partidos pela Sociedade de Espetáculos. Mas esta com o Degelo do Império Americano está em plena e deselegante decadência. A Globalização q seria em princípio Yankee, foi engolida pela emersão de outros poderes.
68 existiu em Dionísios na Grécia, com o auto proclamado "1º Pós Moderno do Mundo" em 1928: Oswald de Andrade, no seu Manifesto que este ano faz Bodas de Diamante, 80 anos, duas vezes os 40 de 68, e que vamos comemorar no Meio-Dia de 22 de Maio. Lá Oswald já diz: "estamos comendo esta Civilização porque somos fortes e vingativos como o Jabuti". E num Banquete Bori, neste dia, vamos comer com o tema "Tupy or not Tupy de uma Universidade Antropofágica Brazyleira", quer dizer como saber que reaflorou, retomou o elo perdido, principalmente no Brasil na TROPICÁLIA, um anos antes em 1967: o Saber da Transformação permanente do TABU em TOTEM.
Jose Celso Martinez Corrêa
Abril 2008
Não dizemos mais MERDA
mas o que desejo a você:
OURO